No dia 14 de setembro de 2010, aconteceu uma manifestação na Escola Juracy Maria Brosing. no bairro Paranaguamirim. O motivo foi por falta de salas de aula. "A turma do segundo ano esta com cerca de 47 alunos em sala", afirma Maico Paixão. Os pais alegam por falta de estrutura , e ventilação em sala de aula , como falta de professores em sala de aula. Alunos dizem "Estudantes não são prisioneiros para ficar trancado e calado", Eles precisão de solução e não problemas. Tem estudantes que não estão estudando por falta de salas de aula , ou estão sendo transferidos para escolas mais perto.
Inês , mãe de ex aluna da escola alega que abrem mais salas , pois os jovem tem que trabalhar durante o dia e estudar durante a noite, Os pais reclamam porque eles pagam imposto para acontecer isso que esta acontecendo,
O grito de Guerra foi " Estudantes na rua , governo a culpa é sua!"




Ana Paula Mendes, Diretora de comunicação da Ujes.



Os estudantes da Escola Juracy Maria Brosig protestaram ontem
contra a superotação de salas.

Durante anos a Ujes sofreu um processo de desconstrução, esta entidade que durante anos esteve em lutas que modificaram os rumos de nosso país hoje está em um processo lento de reconstrução. É fato que hoje a Ujes não é conhecida por grande parte dos estudantes que ela pretende representar, esta é a realidade que precisamos modificar.

Eleição do Grêmio Estudantil da E.E.B. Dr. Paulo Medeiros,
grêmio construído com auxílio da Ujes.

Nos últimos anos, as direções que estiveram à frente da Ujes trabalharam para alterar esta realidade e levar a conhecimento de todos os estudantes a sua existência e o seu papel diante do movimento estudantil, basta lembrar a participação fundamental que esta entidade teve na construção do movimento contra o aumento das passagens do transporte coletivo de Joinville, na construção de diversos Grêmios entre as mais diversas lutas que foram encampadas.

Porém, é hora de abrir um novo período, onde devemos massificar a presença da Ujes, e isso deve ter como primeiro passo a construção de um grande congresso da entidade, com representações das mais diversas escolas de Joinville.

Paralização dos Servidores muncipais em 2010.
Estudantes e professores na luta por condições dignas de trabalho.

O Conselho Municipal de Grêmios (CMG), reunido no dia 28/08 elegeu uma direção provisória da Ujes que deverá construir um congresso a ser realizado em Maio de 2011. O congresso terá papel fundamental na nova fase que a Ujes está passando, e será o ponto de partida para uma nova perspectiva sobre a entidade. E maio é de fato um mês simbólico para o movimento estudantil e operário do mundo.

Mais do que nunca necessitamos do auxílio dos Estudantes e de suas entidades representativas (Os Grêmios) para mais um passo importante no movimento estudantil de Joinville e região, é chegada a hora de resgatar aquela Ujes que lutou contra a ditadura e que vai lutar por todas as reivindicações dos estudantes de nossa cidade. Não podemos parar, o trabalho que foi iniciado há três anos deve ser intensificado, avançando em nossas reivindicações, construindo mais grêmios e construir uma Ujes de luta e que seja reconhecida pelos estudantes como sua entidade.

Direção provisória da Ujes, Setembro de 2010.

Sabe-se que em Joinville chove muito, mas sabe-se também que o inverno é frio e o verão quente. O que só os estudantes e os professores sabem e o governo finge não saber, é que os estudantes tem de enfrentar as condições climáticas dentro de sala de aula. Se voce estuda em escola pública, deve saber do que estou falando, imagine 30° C de temperatura dentro de uma sala de aula com 35 estudantes, ou imagine um frio de 8° C num dia de chuva, a dificuldade de se concentrar nos estudos.
Tudo isso porque as salas de aula não estão equipadas com arcondicionado, a maioria possui apenas ventiladores que mal funcionam.“No verão os ventiladores não dão conta de resolver o problema do calor e no inverno não servem pra nada!” diz Sabrina Galdino, estudante da escola estadual Dr. Tufi Dippe.
O aparelho de arcondicionado é uma reivindicação real e justa, não é pedir muito, afinal pagamos tantos impostos!.
Apesar dos problemas enfrentados pelos estudantes, o governo não toma nehuma providência. O que fica claro, é que precisamos nos organizar para cobrar do governo o nosso direito, é a única maneira de garantir o nosso deireito a uma educação pública gratuita e de qualidade.


Diretoria do Grémio Estudantil Tufi Dippe.


No dia 20 de abril de 2010 ocorreu um ato “diferente” pela quadra de esportes na Escola de Ensino Básico João Rocha, os estudantes jogaram futebol e vôlei com materiais de proteção para evitar acidentes devido às péssimas condições da quadra. O ato foi organizado pelo Grêmio Estudantil J.R que vem organizando várias lutas dos estudantes de sua escola e se organizando juntamente com a União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas - Ujes.

Para a presidente do Grêmio, Juliana Marymom, essa é uma forma mais criativa de organizar uma manifestação, porém esse é só o início da luta e formas mais comuns de atos ocorrerão. “Estudo nessa escola há oito anos e nada foi feito além de uma reforma que aconteceu no último período eleitoral. Esse ato serviu para marcar o início dessa luta e vamos cobrar do governo juntamente com a Ujes e outras escolas da cidade. Não podemos aceitar esse descaso com a educação pública.”


Imprevisto


No período noturno os estudantes colocaram velas ao redor da quadra e jogaram com lanternas e luzes diversas. “Nós não temos uma quadra coberta, o que impede de jogar nos dias de chuva e à noite nenhum estudante pode jogar futebol, vôlei ou basquete porque não temos iluminação”, relata Juliana.

O ato ocorria normalmente até o momento em que o estudante Nome se acidentou e quebrou o braço. Iago Paqui, diretor da Ujes, participava da manifestação e explicou que acidentes acontecem, mas podem ser evitados e o fato ocorrido no jogo é um exemplo: “Precisaríamos manifestar nossa indignação se houvesse uma quadra decente, coberta e com iluminação?”.

Juliana completou com o poema, de Bertold Brecht, que diz que “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.


Bandeira de Luta


O Grêmio estudantil J.R. vai continuar as mobilizações pela quadra de sua escola e entende a importância de se organizar em conjunto com a Ujes na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Essa é a principal bandeira de luta da entidade nesse ano e vem agregando estudantes de toda a cidade. “A juventude precisa perceber que este não é um fato isolado da Escola João Rocha, pois na verdade é somente o reflexo do descaso com a educação pública no Brasil. Só conseguiremos vencer esse combate nos organizando em nossas entidades e lutando por nossos direitos”, completou Iago.



Evandro Colzani, militante da Esquerda Marxista do PT.




Uma discussão sobre a palavra de ordem "Educação não é mercadoria"

Desde o final do século passado uma “polêmica” foi implantada no movimento estudantil e na classe trabalhadora (em especial nas lutas ligadas ao ensino público): trata-se da afirmativa “educação não é mercadoria”. Mas se a educação passa pelo processo de compra e venda da força de trabalho ela só pode ser uma mercadoria!

O que é mercadoria? Karl Marx explica em O Capital que uma mercadoria é “um objeto, uma coisa, a qual pelas suas propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie”; essa qualidade de satisfazer necessidades humanas dá à mercadoria o seu “valor de uso” – utilidade da mercadoria às pessoas.

Marx ainda explica que para uma “coisa” ser mercadoria ela precisa também ter um valor de troca, que é seu valor propriamente dito, dando-lhe as condições de ser trocada no mercado por outra mercadoria de mesmo valor. Se uma “coisa” tem valor de uso, valor de troca, e passa
pelo processo de compra e venda no mercado, é uma mercadoria.

A valorização do capital (processo no qual o capitalista investe na produção e ao final multiplica o capital investido) só se realiza com a existência do mercado. Aqui temos uma das raízes da confusão: muitos companheiros concluem que o que se passa na esfera do privado é mercadoria, mas na esfera do setor público não. Errado!

O mercado inclui o setor privado, o público e o Estado. Se uma coisa é estatal não quer dizer que ela está fora do mercado. O mercado existe e nele se realiza o capitalismo, e o Estado é parte disso, aliás, é o Comitê Central dos negócios da burguesia.

No trabalho exercido pelo professor, sua mão de obra possui um valor de uso: o conhecimento em determinada área é ensinado ao aluno porque é útil ao aluno. Ele também possui um valor de troca: para poder ensinar o seu conhecimento o professor precisa continuar vivo, para tanto ele troca sua mão-de-obra (neste caso o ato de ensinar e repassar conhecimento) por um determinado valor que o possibilite satisfazer suas necessidades básicas (vestimentas, alimentos, etc.). Por fim, o professor participa do mercado vendendo a única mercadoria que ele tem para vender, sua
força de trabalho. E isso ocorre tanto com o professor da rede privada quanto com o da rede pública.

Outros companheiros tentam justificar que a educação não é mercadoria pelo fato dela não gerar mais-valia, sendo um trabalho improdutivo (que não gera valor). Mas o trabalho exercido pelo professor é um trabalho produtivo que gera um produto essencial: o trabalhador qualificado, que tem mais valor no mercado que o trabalhador sem qualificação. Sem o trabalhador qualificado o processo de produção capitalista, não funcionaria: o operário que produz uma peça não poderia fazê-lo sem que tivesse aprendido com os professores.

A principal diferença entre a natureza do ensino público e o privado (abstraindo os interesses ideológicos e econômicos) é sobre quem paga o salário: Na rede privada quem paga é o patrão, através do dinheiro das mensalidades, e na rede pública quem paga é o Estado, através de impostos arrecadados. No entanto, para os trabalhadores é melhor a educação pública que a educação privada.

No sistema público toda a classe trabalhadora pode lutar para jogar essa despesa (necessária à sua própria reprodução) nas costas do patrão, enquanto que no sistema privado é o trabalhador, individualmente, que tem que arcar com os custos da educação dos seus filhos. Ao contrário, na educação pública os custos são gerais de toda a sociedade, entrando aí a discussão de como se arrecada os impostos, sobre quem paga mais e quem deve pagar, os patrões ou os trabalhadores.

O Estado organiza a escola não porque ele quer educar os operários para um futuro brilhante e radiante, mas para ensinar o operário a produzir como a burguesia precisa. Desse modo, a educação vai ser componente de futuras mercadorias, e essencial para a própria reprodução do ciclo da produção.

Um trabalhador com diferentes níveis de educação, com o domínio de certas técnicas, vai incorporar e transferir parte de seu conhecimento na produção de uma mercadoria mais elaborada. A educação recebida na escola, de forma indireta vai se incorporar, mais à frente, em mercadorias. Nesse sentido pode-se dizer que a educação participa do trabalho produtivo. A educação quando concretizada na produção cria mercadoria e gera lucro. Quando um operário produz uma peça, ele está vendendo a sua capacidade de produzir alguma coisa, está vendendo o que ele sabe e aprendeu a fazer na escola, desde o ensino primário, passando pelo secundário até o curso especializado, seja técnico ou universitário.

No capitalismo a educação é organizada para centralmente formar a mão de obra para o mercado de trabalho e não para ensinar aos trabalhadores os conhecimentos adquiridos pela humanidade.

A nossa luta deve ser por um novo sistema, o socialismo, aonde a educação sirva para satisfazer as necessidades humanas e não simplesmente produzir mão de obra mais qualificada (coisa que ela continuará a produzir). A frase “educação não é mercadoria” pode levar à idéia de que a educação não deve ser negociada, pois não é mercadoria, quando na verdade ela é permanentemente negociada na luta de classes, entre os professores e os estudantes com os patrões ou o Estado.

A palavra de ordem ‘mais educação e menos mercadoria’ traduz de forma mais concreta o combate dos professores e estudantes na luta de classes e carrega a idéia de que é necessário superar o mercado, através da implantação do socialismo.

Fábio Ramirez